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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Ousadia é sinonimo de AÇÃO.


Hoje, na CUFA estamos fomentando um núcleo de projetos que tem como foco as mulheres das periferias do país. Queremos fazer com que elas se sintam estimuladas a promover ações conosco, organizar o discurso dessas mulheres, no sentido de juntas, criarmos um projeto político democrático.

Não queremos ser só mais uma organização de mulheres que lutam contra a opressão as nós imposta ao longo de todo processo histórico. Queremos participar efetivamente do processo de decisão política, entendendo que tudo é política, desde uma conversa informal de amigas até a postura assumida no local de trabalho, por exemplo.

A conselheira nacional do núcleo, Nega Gizza, que também é umas das coordenadoras da CUFA no Rio de Janeiro, em uma entrevista ao Núcleo de Comunicação da CUFA MT, ressaltou que nós mulheres precisamos nos incentivar, nos ouvir mais, e assim, nos organizarmos, para a real ocupação dos espaços políticos de decisão.

Não somos feministas que lutam pelo machismo ao contrário. Não queremos tirar o poder de decisão das outras pessoas. Queremos e estamos discutindo o fomento de ações para que as mulheres sejam protagonista de suas próprias histórias.

Um projeto com conceito ousado. È ousadia querer ocupar espaços antes negados para as mulheres, sobre tudo as negras e faveladas. Contudo, é sempre bom lembrar que ousadia não é sinônimo de impossibilidade, e organização para o empoderamento é chave do sucesso.

Faça parte dessa rede. Entre em contato conosco pelo e-mail: mariamariamt@cufamt.org.br.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Transexual perde a guarda do bebe que cuida a oito meses




Roberta Góes Luiz, perdeu a guarda do bebe que cuidava, com autorização judcial.




A promotoria da cidade de são José do Rio Preto alega que Roberta e seu companheiro, de 40 anos não têm condições morais, sociais e psicológicas para cuidar da criança.

Roberta visita a criança que esta em um orfanato da cidade semanalmente. Afirma que a criança só fica feliz com a sua presença.

A decisão judicial motivou um protesto do Centro de Referência de Gays, Lésbicas, transexuais e transgêneros da cidade, que não mudou a opinião da promotoria da cidade.

Fatos como esse remete-nos a refletir sobre a adoção de crianças por casais homossexuais. Muitas são as contradições e mitos a essa questão. E você? Qual o seu pensamento? Deixe sua opinião.

Matéria na íntegra em www.diariodecuiaba.com.br

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Projeto de lei quer criar bolsa-estupro


Projeto de lei em tramitação no Congresso pretende combater o aborto em gestações resultantes de estupro - prática permitida no Brasil desde o Código Penal de 1940 - com base em um pagamento pelo Estado de um salário mínimo para a mulher durante 18 anos. A idéia, conhecida como "bolsa-estupro", pretende, nas palavras de um dos autores do texto, o deputado Henrique Afonso (PT-AC), "dar estímulo financeiro para a mulher ter o filho".


A idéia de subsídio para grávidas vítimas de violência sexual está também no projeto do Estatuto do Nascituro - texto que torna proibido no País o aborto em todos os casos, as pesquisas com células-tronco, o congelamento de embriões e até mesmo as técnicas de reprodução assistida, oferecendo às mulheres com dificuldades para engravidar apenas a opção da adoção.


A proposta do deputado inclui ainda outro item bastante polêmico, que prevê que psicólogos, pagos pelo Estado, devam atender essas mulheres para convencê-las da importância da vida, fazendo com que elas desistam do aborto. "


O psicólogo comprometido com a doutrina cristã deve influenciar a mulher e fazer com que ela mude de opinião", defende Afonso. No entanto, o Código de Ética da profissão proíbe ao psicólogo, no exercício de suas funções, "induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual".Na justificativa do projeto, o deputado diz que "se, no futuro, a mulher se casa e tem outros filhos, o filho do estupro costuma ser o preferido. Tem uma explicação simples na psicologia feminina: as mães se apegam de modo especial aos filhos que lhes deram maior trabalho".


Confiram a reportagem na íntegra em www.estadao.com.br

Lançamento Nacional do livro “Falcão: Mulheres e o Tráfico”.



O livro de Celso Athayde e Mv Bill que já foi pré-lançado em alguns estados do país, como Rio de Janeiro e Mato Grosso, será lançado nacionalmente agora em janeiro.

O lançamento, ainda com data indefinida será feito entre outros lugares, em presídios femininos. Segundo Celso Athayde o livro tem que atingir todas as mulheres, e as que estão nesses lugares são as únicas que não podem vir até nós, então nós iremos até elas.

“Falcão: Mulheres e o tráfico” foi pré-lançado em dezembro no município de Sinop,com sucesso de público e resultados. A ação foi do Núcleo de Projetos Maria Maria,(confira em www.cufamt.org.br
).

O Núcleo de Projetos Maria Maria também já esta organizando o primeiro encontro de mulheres, paralelo ao seminário nacional da CUFA, que será em abril, também sem data definida. Em breve mais informações.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Esporte ajuda única cacique mulher do Brasil a revolucionar aldeia de MT




O espírito de guerreira e o sonho de trazer melhorias para seu povo, garantiu à Creuza Assoripa Umutina o respeito de todos indígenas de sua etnia. Admiração conquistada após vencer os Jogos Indígenas, na categoria arco e flecha. Creuza consagrou-se a melhor atiradora, acertando três vezes consecutivas o mesmo alvo.


A fama refletiu-se em votos nas urnas de um processo eleitoral que a elegeu em 2004, primeira mulher a ocupar o mais alto posto da aldeia, até então só ocupado por homens: o de cacique. Ao substituir o ex-cacique Valdomiro Umutina, a vida na aldeia mudou. Creuza garantiu à única escola, 20 computadores ligados à internet.


Uma parceria entre o governo estadual do Mato Grosso e prefeitura de Barra do Bugres, assegurou os ensinos de nível fundamental e médio. Abraçou o sistema de cotas para indígenas da Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat). Cinco estudantes estão concluindo curso de Letras e 10 indígenas formaram-se professores e retornaram à aldeia, onde ministram aulas nos idiomas Português e Pituquá.


Na área da saúde a aldeia Umutina está melhor atendida. Uma parceria com a Funasa garantiu atendimento médico in loco. Entre os serviços disponibilizados aos indígenas estão clínica geral, pediatria e odontologia. “Perdi meu dente da frente por causa de uma cárie. Agora estou tranqüila porque nossa cacique conseguiu levar até a aldeia o serviço de implante dentário”, revela satisfeita a estudante, Edilene Utina, 17, zagueira do futebol vice-campeã dos Jogos dos Povos Indígenas de 2007.


A cacique também levou energia elétrica e agora, nas ocas, existe televisão. Mas implantar uma administração moderna e levar benefícios para a aldeia, não foi fácil. Para obter o respeito dos homens e dar bom exemplo à tribo, Creuza se separou do marido. “Tive que cortar na própria carne e pedir a separação, porque meu marido bebia muito e dava péssimo exemplo à aldeia”, lamenta. “Sou a maior autoridade na aldeia. Como posso cobrar dos jovens que não se envolvam com o álcool se meu marido não dava o exemplo?”, questiona. Esporte dignifica - Creuza Umutina sabe ler e escrever.


Mesmo tendo parado os estudos na 5ª serie tem convicção de que a educação e o esporte dignificam o ser humano. “Moral e sabedoria aprendemos na escola, mas a saúde e o respeito conquistamos principalmente através do esporte. Se eu não fosse a melhor atiradora da aldeia, não seria respeitada pelos homens, e muito menos pelas mulheres, uma vez que o regime entre os povos indígenas é patriarcal e machista. Hoje estou feliz e casada com o meu trabalho”, revela.

www.rmtonline.com.br

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

LANÇAMENTO DO NUCLEO MARIA MARIA - SUCESSO TOTAL


A primeira ação do Núcleo de Projetos Maria Maria foi um sucesso de público e e reultados!!

Depois de vários dias de espera, de Sinop recebeu com muito carinho, Mv Bill e Nega Gizza para o Lançamento do livro Falcão Mulheres e o Tráfico, e do Núcleo de Projetos Maria Maria.
Mesmo debaixo de muita chuva, mais de 200 pessoas compareceram no evento realizado na escola Rosa dos Ventos, que fica na periferia de Sinop.


Foi montada uma mesa, a qual estavam presentes, além de Nega Gizza, conselheira nacional do Maria Maria, e MV Bill um dos escritores do livro, ambos coordenadores da Cufa do Rio de Janeiro, o representante da Secretaria de Políticas de Promoção de Igualdade Racial (SEPPIR), Antonio Pinto (Toninho), e é claro os coordenadores de CUFA Cuiabá e Sinop, Karina Santiago e Anderson Maciel respectivamente.

Organizações como Conexões dos Saberes da UFMT, MIN Movimento de Inteligência Negra de Cuiabá e a Associação de Moradores do Bairro Palmeiras, fizeram perguntas referentes às políticas de igualdade racial e também sobre o livro, contribuindo de maneira efetiva no debate.

Alunos das oficinas de Break realizadas pela Cufa Sinop fizeram uma brilhante apresentação, assim com a Rapper Taynara, que é instrutora de break e Mc. Taynara compôs uma letra falando sobre o Maria Maria, que agitou a galera.

O livro, escrito por Celso Athayde e Mv Bill, vem mostrando a realidade vivida por mulheres de várias regiões do país no universo do tráfico de drogas, que vivem em uma nova ordem moral, a qual Celso e Bill tentam mostrar para o Brasil.

A situação da mulher em Mato Grosso não se diferencia das mulheres de outras regiões. O Núcleo vem na estratégia de enfrentamento dessas questões, sem fórmulas prontas e acabadas como ressalta Nega Gizza. Mas sim na troca de experiências visando o aumento da qualidade de vida das mulheres das periferias brasileiras.





segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Sistema penitenciário brasileiro é concebido sob a ótica masculina




O recente fato ocorrido no município de Abaetetuba (PA), onde uma garota de 15 anos ficou detida durante três semanas em uma cela com 20 homens, trouxe à tona a discussão sobre os descasos enfrentados pelas mulheres que cumprem pena no sistema penitenciário brasileiro.




Em entrevista à Radioagência NP, a coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, Heidi An Cerneka, explica como a estrutura carcerária e penitenciária brasileira é concebida dentro de uma ótica masculina que não tem espaço para o cumprimento de pena por pessoas do sexo feminino.




Radioagência NP: Que razões explicam o problema de falta de infra-estrutura para abrigar mulheres que cumprem pena no Brasil?


Heidi An Cerneka: A população prisional feminina em muitos dos estados é baixa. Então eles [governantes] nunca pensaram na mulher detida. Muitos estados têm uma penitenciária só, é por isso que muitas mulheres ficam em delegacias. E mesmo assim, as penitenciárias sempre são em antigos conventos, colégios, unidades [penitenciárias] masculinas e unidades para adolescentes infratores. Nunca são construídas penitenciárias pensando na mulher.




RNP: Então mesmo essas penitenciárias femininas não possuem espaços especificamente projetados para mulheres como berçários ou creches?


HAC: Não existe lugar para berçário, para creche. São poucos estados que têm isso. Rio de Janeiro tem, mas o local não é muito adequado. As últimas pessoas que fizeram uma visita neste local disseram que tinha insetos no berçário e o número de detentas era tão alto que tinha mulheres dormindo no chão.


RNP: Qual a sua avaliação sobre o grande número de mulheres que ficam detidas em delegacias?HAC: O que importa não é tirar todas as mulheres de delegacias, porque nesses estados em que não há uma população [carcerária] grande, elas acabam indo [transferidas] para um lugar [penitenciária] muito distante da família. Ela tem é que ficar em lugar que garanta a segurança dela, em cela separada e para que se tenha um mínimo de dignidade, é indispensável que esses lugares tenham carcereiras femininas.




RNP: Há um número enorme de queixas sobre as dificuldades no cumprimento de cuidados voltados especificamente para o público feminino como a realização de exames de pré-natal das mulheres grávidas. O que você tem dizer sobre isso?


HAC: A questão de pré-natal é uma preocupação grande. Um problema que existe no país inteiro é a questão da escolta policial para consulta. Elas perdem sete de cada dez consultas por falta de escolta. Imagina uma situação onde tem uma pessoa com audiência no fórum, uma pessoa com um problema grave de saúde e uma pessoa que tem uma consulta marcada de pré-natal e tudo isso com apenas uma escolta? Com certeza o pré-natal não vai. Já acompanhamos mulheres que deram à luz na penitenciária porque também não conseguiram chegar ao hospital.




RNP: Fale sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para arranjar emprego depois que saem da prisão.HAC: É muito difícil. O Censo Penitenciário de São Paulo mostra que 86% das mulheres detidas têm filhos. Então elas saem da cadeia e também vão reassumir seus filhos. É difícil correr atrás de trabalho. Eu estou acompanhando uma moça que estava no quarto ano de psicologia na universidade quando foi presa. Ela falou que consegue passar em todos os testes quando procura emprego, mas assim que eles sabem que ela possui antecedente criminal, eles falam que ela não precisa voltar. É preciso programas para as pessoas que saem da prisão, programas que deveriam ser focados na questão econômica.




São Paulo, da Radioagência NP, Juliano Domingues.04/12/07



ilustração extraída de www.drooker.com

HOMENS CONTRA O MACHISMO


A luta contra o machismo foi um dos temas discutidos no ato público ocorrido nesta quinta-feira (06), e que marcou o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A mobilização ocorreu na capital pernambucana, Recife (PE).

Os freqüentadores e os comerciantes presentes no local, receberam orientações e panfletos educativos sobre a Lei Maria da Penha, que pune a violência contra a mulher.

Segundo o integrante da Organização Não Governamental (ONG), Instituto Papai, Benedito Medrado, o ato procurou conscientizar a população de que a luta pelo fim das várias agressões sofridas pelas mulheres não é uma causa apenas feminina.

“A primeira coisa que a gente pensou [queria] é falar que existem homens que são contra a violência contra a mulher e que estão mobilizando-se publicamente para poder falar sobre isso.”Benedito afirma que os homens são vítimas do seu próprio machismo, já que este tipo de comportamento está relacionado com a violência e doenças das quais pessoas do sexo masculino são vítimas.

Ele ainda ressalta que a violência contra a mulher diminuiu, mas que a Lei Maria da Penha ainda precisa ser efetivamente implantada, principalmente nas cidades do interior do Brasil.

São Paulo, Radioagência NP, Juliano Domingues.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

HOMOFOBIA DEVE SER CONSIDERADA CRIME?


Jovem espancado no Rio de Janeiro retoma a discussão sobre a criminalização da homofobia.


Ferrucio Arantes de 19 anos, foi espancado por jovens de classe média, apenas por ser homossexual assumido.


Três rapazes, com idade entre 18 e 25 anos, o abordaram e gritaram: Não queremos veados na nossa área. Ferruccio ainda correu cerca de 400 metros e escondeu-se no banheiro de um posto de gasolina na Avenida Visconde do Rio Branco, em frente ao Clube Canto do Rio, mas acabou sendo alcançado.


A pergunta é:


Violência contra homossexual deve ser considerada crime, tal como a violência contra a mulher?
De fato, a necessidade de uma lei para punir a intolerância a diversidade sexual, já pode ser considerada um regresso. Mas é fato também que casos como esse, vem acontecendo diarimante a muitos anos.


Logo, poder público e sociedade civil organizada, podem e devem tomar decisões, nas quais a diversidade sexual e os direitos humanos sejam plenas.


A CUFA, se insere no contexto da diversidade sexual e até tem um projeto para lançar um grupo de Rap Gay. Confira no http://www.cufa.org.br/

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

MV Bill lança em Mato Grosso livro sobre mulheres e o tráfico de drogas


O rapper MV Bill volta a Mato Grosso no dia 18 de dezembro para lançar o livro "Falcão – mulheres e o tráfico", que relata a realidade das mulheres envolvidas com o tráfico de drogas em várias partes do Brasil.


O lançamento,que acontece em Sinop, às 20 horas, contará com a presença do parceiro deBill, o produtor Celso Athayde, e da rapper e locutora de rádio Negga Gizza,do Rio de Janeiro.


Os artistas participarão também de uma mesa-redonda com o tema "Mulheres das periferias de Mato Grosso e as diversas formas de violência", que será acompanhada por lideranças de bairro, representantes de ONGs e do poder público.


A entrada é gratuita.

Mais informações: 3023-8072.


Assessoria de Imprensa

Neusa Baptista – 6664 1984/92260944

Fernanda Quevedo - 3023-8072/99599554

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Mulher, negra, mãe, rapper, ativista e empreendedora social - Negra Gizza : uma Negra em constante Movimentação.






Negga Gizza, uma das fundadoras da CUFA, fala sobre o seu envolvimento e os projetos que estão em andamento.




Em entrevista concedida ao Núcleo de Comunicação da CUFA do Rio de Janeiro, a rapper fala do seu envolvimento com a Cufa, sobre a criação de oportunidades para jovens e a aproximação destes por meio da cultura, estratégias de enfrentamento do preconceito, e também sobre educação.


Explica como é participação dos jovens no Prêmio Hutúz,maior prêmio concedido aos talentos do Hip Hop na América Latina.




No dia 18/12/2007, ela estará em Mato Grosso, mais precisamente em Sinop, no lançamento do livro de Celso Athayde e MV BIll, "Falcão - Mulheres e o Tráfico".






Confira a entrevista na íntegra.






A Central Única das Favelas (Cufa) surgiu em 1998 com reuniões de jovens de várias favelas do Rio de Janeiro, que pertenciam ao movimento hip hop e buscavam espaço na cidade para expressar suas atitudes, questionamentos ou simplesmente sua vontade de viver.


Tornou-se uma organização nacional que trabalha por um ideal: transformar as favelas, seus talentos e potenciais diante de uma sociedade onde os preconceitos de cor, de classe social e de origem ainda não foram superados.


Hoje, a Cufa funciona como um pólo de produção cultural, que forma, e informa, jovens de comunidades, oferecendo perspectivas de inclusão social.




– A Cufa surgiu como uma manifestação cultural do hip hop, mas acabou ampliando as formas de expressão, conscientizando e elevando a auto-estima das camadas não privilegiadas, por meio de uma linguagem própria. Você pode falar um pouco desse trabalho com os jovens, dando enfoque para a importância da música e da cultura na formação do jovem?




– A gente tem um espaço funcionando dentro da comunidade e esse trabalho da Cufa é uma opção para o jovem. É uma forma de dar uma oportunidade para o jovem ter uma opção. Eu acho que é isso que falta hoje não só dentro das favelas mas na sociedade em geral. O jovem precisa de oportunidade, seja ele um jovem que conseguiu fazer o estudo básico, o segundo grau completo, seja ele uma pessoa que não conseguiu estudar. Esses dois jovens precisam ter uma oportunidade, de acesso a cultura, a informação, de freqüentar estágios.



– Vocês promovem essa oportunidade aos jovens por meio de que atividades?


Gizza – Temos atividades nas áreas da educação, lazer, esportes, cultura e cidadania, por meio das quais procuramos contribuir para o desenvolvimento humano e trabalhamos com vários elementos do hip hop: graffiti (movimento organizado nas artes plásticas em que o artista aproveita espaços públicos, criando uma nova identidade visual em territórios urbanos); DJ (artista que alia a técnica à performance, utilizando pick-ups e discos de vinil); break (estilo de dança de rua originário do movimento hip hop); rap (‘ritmo e poesia’, estilo musical culturalmente herdado das populações latinas e negras e cujas letras retratam o cotidiano das periferias); audiovisual (valorização da imagem como instrumento de mobilização social); basquete de rua (esporte oficialmente embalado pelo rap); literatura (onde os jovens expressam sua arte e suas vivências através da escrita e obtêm conhecimentos relativos às obras ou aos escritores literários) e projetos sociais (conjunto de ações que busca por uma). (transformação social a partir das comunidades).



– Na área do audiovisual vocês têm um trabalho reconhecido ...


Gizza – O audiovisual surgiu com a idéia de ter o registro de nossa história, das coisas que acontecem, da necessidade de registrar a informação para nós mesmos e informações futuras, para pessoas que ainda vão nascer, para registrar uma história. Ainda estamos aprendendo, fizemos o documentário Falcão (Falcão – Meninos do Tráfico é um documentário produzido pelo rapper MV Bill, pelo seu empresário Celso Athayde e pelo centro de audiovisual da Central Única das Favelas que retrata a vida jovens de favelas brasileiras que trabalham no tráfico de drogas). Além de ser uma produção independente, que se tornou popular, foi uma oportunidade para os jovens estarem mexendo com a câmera, fazendo coisas, aprendendo. Além disso, produzimos e veiculamos a cultura hip hop através de publicações, discos, vídeos, programas de rádio, shows, concursos, festivais de música, cinema, oficinas de arte, exposições, debates, seminários e outros meios.




– Vocês começaram esse trabalho aqui, na Cidade de Deus, e depois foram ampliando para outras favelas do Rio e de outros Estados. Quantas unidades da Cufa existem hoje?


Gizza – Cidade de Deus foi à primeira unidade, depois trabalhamos um tempo em Jacarezinho, mas lá a base fechou. Hoje, no Rio, tem unidades da Cufa em Cidade de Deus, no Complexo do Alemão, em Acari, e em Madureira, onde funciona o Centro Esportivo e Cultural da Cufa. Fora do Rio, temos unidades em São Paulo, no Ceará, em Belo Horizonte, no Recife, em Mato Grosso e em Brasília.O preconceito éum problema histórico




– Como foi esse trabalho de expansão?


Gizza – No começo era um movimento muito unificado (do hip hop), depois as pessoas foram criando seus núcleos, suas redes e cada um descobrindo a melhor forma de trabalhar. Eu trabalho com hip hop mas não dá para ter o mesmo pensamento do cara que mora em São Paulo, que mora no Maranhão. A gente tem que viver o hip hop na nossa realidade, no Rio de Janeiro, o funk e tal... Daí percebemos a importância de conseguir trabalhar, de criar um movimento, que fosse ligado ao hip hop e que fosse além da cultura do hip hop. Depois, na prática, descobrimos que era uma questão de se organizar, não era só ter um movimento, um núcleo.




– Como vocês trabalham com o preconceito, já que o próprio movimento do hip hop ainda sofre com o preconceito?


Gizza – O preconceito existe, pela diferenças sociais, que faz com que as pessoas se afastem, não se conheçam, cada um tem a sua prioridade, o seu privilégio. O preconceito separa as pessoas e não tem como acabar com isso, porque é um problema histórico. Mas acho que tem como fazer com que as pessoas possam ser vistas de forma diferente, que é o que todo mundo quer: ser visto de forma mais respeitosa, ser recebida nos espaços com respeito e acho que o preconceito está um pouco longe disso. A gente não está aqui para chorar, para reclamar, mas para tentar fazer mudança, de forma pacífica, que é bom para os dois lados, mas se não for possível, de forma mais agressiva porque, às vezes, não existe outra forma de fazer mudança sem ser, em alguns momentos, agressivo. Hoje a gente está muito mais aberto a conversar com todo mundo, a discutir solução, pensar em soluções. A gente não quer ficar para trás, queremos evoluir. Eu acho que os novos pensamentos estão vindo, a gente pratica isso, aprende a ser diferente, mesmo que a nossa realidade faça com que às vezes a gente seja muito agressivo, a tendência é a gente segurar essa agressividade e pensar de forma diferente.




– Você falou da importância da busca de soluções. Com a experiência do trabalho com a comunidade, quais seriam as melhores soluções, enquanto política pública, para a juventude?Gizza – No espaço que temos hoje oferecemos cultura, cursos profissionalizantes e temos como meta chegar na área da saúde, conseguir trabalhar um pouco em palestras, em projetos para dar as pessoas noção de como cuidar da sua saúde na realidade em que elas vivem, na comunidade com esgotos abertos, ensinar como se preserva a saúde da criança, do jovem, do idoso. Além das oficinas voltadas à cultura, da qual já falamos, temos um telecentro, as pessoas podem viajar no site, ter informações não só de entretenimento, mas para seus estudos e para sua área profissional. Temos também cursos profissionalizantes, como de gastronomia, produção de eventos, viabilizados em parceria com o governo federal.



– Como é a aproximação com jovens? Vocês procuram, a comunidade indica, é iniciativa do próprio jovem vir para Cufa?


Gizza – A intenção é fazer com que o jovem reconheça o espaço como um espaço dele, que ele se sinta em casa, a ponto da gente ter que botar ordem, como se aquilo fizesse parte da vida dele dentro da comunidade. O jovem se inscreve para um curso e a partir dali a nosso trabalho é fazer com que ele freqüente o espaço, as oficinas e que a gente acompanhe ele fora do espaço. Se acabar uma oficina, a nossa vontade é que ele continue freqüentando o espaço, não como um aluno, mas como uma pessoa que vai contribuir com o que aprendeu e passar para outras pessoas. Os jovens que trabalham aqui hoje, como voluntário, e os que prestam serviços, são pessoas que saíram daqui. É um diferencial, embora o jovem que tenha aprendido lá fora ele também contribui, mas o que aprendeu aqui ele serve como referência para o próprio jovem da comunidade. Nossa intenção é que o jovem acabe a oficina mas continue freqüentando o espaço como parte da vida dele, nem que venha aqui para fazer uma hora de voluntariado, duas vezes por semana. Com as crianças e adolescentes a gente tem um acompanhamento, que envolve psicólogos, psicopedagogos, assistente social, que acompanham esse jovem na escola e em casa, onde conversam com os pais para eles entenderem como é a oficina que o jovem participa. O menino que faz oficina de basquete de rua chega em casa querendo jogar bola e, às vezes, os pais reprimem e não sabem a importância que é para ele aquela atividade. Então a gente informa qual o método que usamos para esse jovem jogar basquete de rua. Ao compreender, os pais aceitam toda a demonstração, o reflexo que acontece com ele dentro de casa, que ele trouxe da oficina que ele freqüentou. É trabalhoso mas tem tido efeito.




– Freqüentar a escola é uma exigência para participar das atividades da Cufa?


Gizza – É recomendável, mas se não está a gente procura abrir espaço para essa criança. Já trouxemos jovens que não estavam estudando e, ao participar de uma oficina, voltou a estudar. Esse núcleo de pedagogas, psicólogas e assistentes sociais acaba indo às escolas e pedindo espaço para esses alunos, seja adolescente, seja criança. A gente leva de volta para a escola, é um trabalho feito em parceria com as escolas, com a família, é uma junção.



– A Cufa promove, este ano, a oitava edição do festival Hutúz. Como é participação dos jovens na produção desse festival, criado para divulgar o movimento hip hop?


Gizza – A produção e a direção são feitas pelos jovens e pela comunidade. É um festival voltado para o hip hop. Nasceu como um prêmio voltado para os artistas do hip hop, para quem fazia dança, e foi crescendo (começou em 2001). Tem um prêmio para os destaques - quem se destacou em 2007 vai aparecendo na lista, indicado por jurados. São 15 categorias que abrangem ciência, conhecimento, documentários sobre hip hop, a melhor música, etc. Tem também um festival de shows que é o Hútuz Hap Festival, que acontece no Circo Voador. São três noites que reúnem mais de 500 artistas. Tem também o seminário Hútuz, que reúne pessoas do movimento e de fora para analisar e discutir o que está acontecendo no hip hop, e temos o Hútuz Latino, que procura fazer a junção da música Rap no Brasil e na América Latina, divulgar o que está rolando, saber qual é a língua que cada um está falando, se é parecida ou é diferente. A gente acaba fazendo também da música uma discussão, é bem bacana.O envolvimento dasmulheres no tráfico.



– E qual a linguagem hoje do jovem latinoamericano?


Gizza – É muito parecido com o que a gente tem falado no Brasil, tanto nas discussões políticas, quanto nas reivindicações. Existem outras cufas... é um movimento de um monte de gente consciente, que quer fazer mudança de verdade e quer trazer novos adeptos para essa mudança. A gente está falando a mesma língua nesse sentido, estamos fazendo algo, ninguém está parado, mas procurando alguma coisa para abrir caminhos. É bom saber que o efeito de viver o inconformismo que a gente vive aqui também existe nos países vizinhos. Vamos pensar, mobilizar as pessoas para pensar, escolher os políticos certos, pensar o futuro do país, mas pensar de forma pratica, que seja bom para todos os lados. Acho que é isso. A intenção não é fazer com que melhore aqui para nós, mas fazer com que melhore para todo mundo e, se vai melhorar para todo mundo, que nós estejamos incluídos nisso também, a mobilização é em volta disso.




– Será lançado oficialmente este mês o livro “Falcão – Mulheres e o Tráfico”, de Celso Athayde e MV Bill...


Gizza – Mulheres e o Tráfico é a continuação do projeto que resultou no documentário e no livro Falcão — Meninos do Tráfico, lançado em 2006. É resultado de um trabalho do MV Bill e do Celso Athayde, que descobriram que a vida desses meninos estava ligada à trajetória de suas mães, filhas, irmãs, amigas, esposas e namoradas. Eles contam histórias de mulheres que, de alguma maneira, passaram a interagir e, em alguns casos, a integrar a indústria do tráfico de drogas e resolveram fazer esse livro mostrando a experiência e contando o que está acontecendo no Brasil. O livro foi lançado no dia 26, no Cine Odeon, no Rio, com uma mesa-redonda para discutir o envolvimento das mulheres no tráfico.




– Como você se envolveu com a Cufa, se tornou uma líder na comunidade?


Gizza – Eu sou uma mulher que era uma menina inconformada, com muitas perguntas, buscando respostas. Me envolvi em rádio comunitária com 13 anos, conheci o hip hop, que se tornou o caminho para eu fazer as coisas que eu tanto queria fazer. Eu nem sabia direito o que queria, mas tinha muitas perguntas, queria entender como era o sistema, como aconteciam as coisas, como elas se refletiam dentro da minha vida, porque a política em si refletia na minha casa, no meu bolso, na minha família. Tinha vontade de fazer parte de uma revolução... Eu vim de uma família que não era tão estrutura, perdi um irmão no tráfico de drogas, e queria aprender qual era o caminho para se ter uma família estruturada no Brasil, para melhorar a vida. Descobri que minha história não era a única, que as pessoas tinham histórias parecidas, que estava crescendo o número de jovens morrendo, de jovens se envolvendo com droga. Eu acabei encontrando um pouco de Deus, um pouco de solução, encontrei um caminho, participei da fundação da Cufa junto com o Bill e com o Celso, me envolvi com a música, gravei um disco, acabei entrando nessa luta e estou aqui com muita satisfação. O que me mantém viva é isso: a gente está em movimento, temos quatro bases funcionando, a regra é imposta por nós, temos contribuição de fora, respeitamos essas pessoas, mas a gente controla tudo, faz tudo e isso faz a diferença, a gente faz junto com a comunidade, junto com a favela.




– Do lado pessoal você conseguiu uma família mais estruturada?


Gizza – Estou casada, com dois filhos, acho que vou conseguir deixar bastante coisa para os meus filhos, uma influência, minha filha de cinco anos me acompanha e tento passar para ela essa noção... Se amanhã eu não estiver aqui, ela já sentiu o gosto de que minha mãe fazia isso, qual o propósito, vai entender um pouco. Meu filho a mesma coisa. Não é fácil dar atenção a sua família e se dedicar a Cufa, mas acho que consegui ter uma base, noção de muitas coisas que eu não tinha, achar um caminho.






quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Lançamento do Livro "Falcão Mulheres e o Tráfico" em Sinop.


Núcleo de Projetos Maria Maria apresenta:



Lançamento do livro "Falcão Mulheres e o Tráfico" de Celso Athayde e MV BIll.
Será no dia 18/12/2007 no município de Sinop, Mato Grosso. O lançamento será
feito nas Escola Rosa dos Ventos, ás 19:00, com a presença dos autores e da rapper Nega Gizza.
Falcão Mulheres e o Tráfico é a continuação do projeto Falcão.
Só que desta vez, as mulheres inseridas no mundo do crime e tráfico de drogas, foram tema das pesquisas.
Diversas mulheres de diferente estados do país aceitaram conversar com Celso e Bill. Os relatos são surpreendente e chocantes, revelando um mundo nada cor de rosa das "boqueteiras".
No lançamento do livro no Rio de Janeiro,Celso afirmou que com certeza os relatos vão causar polêmicas.
O livro também vai virar documentário, que está previsto para ser lançado em meado de 2008.
Já li o livro e concordo com Celso: é polêmica na certa!!
Os relatos são chocantes.
Não perca tempo e compre já o seu, pelo site http://www.cufa.org.br/.

Celso Athayde e MV Bill lançam livro no Rio de Janeiro


Celso Athayde e MV Bill lançam nesta segunda-feira, 26, seu terceiro livro, “Falcão – Mulheres e o Tráfico”, com noite de autógrafos no Odeon, no Rio.


A obra é fruto de oito anos de pesquisas da dupla nas comunidades onde realizam shows de rap e dá continuidade “Falcão – Meninos do Tráfico”, documentário exibido pelo “Fantástico”, em 2006, que também tem a sua versão em livro.


“Falcão – Mulheres e o Tráfico” retrata as diferentes maneiras com que as mulheres se envovlem com o tráfico de drogas, seja atuando no movimento ou perdendo seus filhos para a violência.


Celso - que é idealizador do Hutúz, maior festival de hip hop do país, e produtor musical - garante que o novo livro vai causar polêmica.“São assuntos contundentes, que muita gente não conhece. Com certeza, vai mexer com a sociedade”, aposta.Um documentário sobre o tema já é editado e está previsto para março de 2008.